4.1

E terminou a semana do meu aniversário. A semana foi movimentada, divertida e cheia de surpresas. Muito legal, queria dizer que aproveitei cada momento. Ganhei uma festa surpresa, preparada pela minha mulher, Nana; pela grande amiga, Viviane Aguiar; e uma galera muito chegada e cada vez mais próxima.

Bem… 41 anos de idade. E agora? O que vai ser? É mais um ano ou menos um ano? O que mais eu posso aprontar no período em que vou ficar por aqui nesse plano?

Bem, em primeiro lugar, quero que minha saúde esteja cada vez melhor para que eu possa aproveitar a vida cada vez mais. Quero estabelecer novas metas profissionais; retornar à faculdade para, finalmente, concluir o curso de Educação Física e concretizar um sonho que não é só meu, mas da Nana, dos meus pais e dos meus irmãos; e tentar ser o mesmo cara que eu tenho sido ao longo desses anos.

eu-bebe.jpgComo eu costumo dizer, quem não me conhece pessoalmente, só das redes sociais, pode ter uma impressão equivocada de mim. Sou um cara simples, sem ostentação, sem luxo. Tento ser amigo dos meus amigos e dar moral a quem me dá moral. Eventualmente nego tá aí pra me jogar pedra, mas isso também faz parte da caminhada. Aprendi a conviver bem com isso, a respeitar as diferenças e a filtrar as informações e as coisas que não me fazem bem.

Sou muito grato a cada pessoa que, com um gesto de carinho ou afeto, tem me ajudado a levantar das sombras que volta e meia me assombram. Depressão não é uma coisa legal, mas a gente não pode se entregar. Essas pessoas, meus amigos, próximos ou distantes; minha família; me ajudam a não me render, a não desistir.

Um dos passos pra me ajudar a reerguer é escrever e dividir com os poucos amigos que leem as minhas dúvidas e meus sofrimentos. Alegrias também. E assim eu vou vivendo.

Hoje é domingo, e pra mim, é o dia de descansar. Agradeço a vocês que me aturam, virtual ou realmente. E continuem me incentivando. Um beijão!

Celebração

Como eu postei no Facebook, quero avisar que o meu aniversário não é hoje, é na quarta, dia 13.

Pros amigos leitores que não são daqui, o Grupo Nada Igual é um dos mais renomados da Região dos Lagos. Gravou um DVD em janeiro (que está prestes a ser lançado), comemorando cinco anos de estrada do grupo. Eu já tenho uma parceria com eles há dois anos e meio, dentro de um evento semanal que se chama Luau do Nada Igual.

Atualmente, o evento acontece aos sábados, no São Pedro Esporte Clube (SPEC, como todo mundo conhece), no centro de São Pedro da Aldeia. Casa sempre lotada e eu tô sempre lá, fazendo o aquecimento e o intervalo dos shows.

Aproveitando a oportunidade, juntei o trabalho deste sábado com a oportunidade de começar a comemorar meu aniversário. Além do Nada Igual, vários amigos que fiz nessa trajetória vão estar lá dando uma canja e uma moral pra mim.

Moral que começa quando o Nada Igual abre espaço em seu luau pra me homenagear. E de forma carinhosa (e um pouco exagerada), coloca no material promocional: “muitos convidados para comemorar com o DJ mais querido da região”.

É bom ser querido, é bom quando acreditam no seu trabalho e depois de todos esses anos de estrada, ainda te dão chances de continuar aprendendo e crescendo.

E é isso. Pra quem é da região e quiser ir ao Luau, sinta-se convidado por mim neste sábado. Os amigos sabem como me contactar. E vamos aproveitar que a semana será longa, pelo visto.

Nega Maluca, sim (e o preconceito em forma de etiqueta)

E aí que, em tempos onde as notícias correm com uma velocidade impressionante, eu ainda me impressiono como as pessoas podem ser mesquinhas – pra não dizer, ridículas. Quem me conhece sabe que eu abomino o “politicamente correto”. Acho que isso é uma praga que está estragando as relações humanas, transformando qualquer opinião contrária em “algumacoisafobia” e criando uma legião de pessoas movidas a mimimi. Não sabem argumentar, não sabem chorar, apenas se sentem discriminadas, prejudicadas, tolhidas dos seus direitos.

As opiniões, hoje em dia, também são muito extremadas. E o pior: principalmente nas redes sociais, a possibilidade de diálogo, de debate de ideias, está sumindo. É o meu pensamento o que conta, e se você tem uma opinião contrária, foda-se, guarde pra você. Estamos vivendo momentos difíceis, e essa beligerância, essa coisa de vivermos em guerra o tempo todo, em estado de tensão o tempo todo, só amplia isso.

A vida é simples: respeite o direito do próximo que o seu também será respeitado. Preconceitos? A semântica da palavra já diz: pré-conceito, um conceito estabelecido anteriormente ao que se vai estudar/conhecer. Luto pra caramba contra os meus. Já mudei minha opinião em muitos assuntos, mas em outros, ainda tenho dificuldade em assimilar ou concordar. É ruim, não é fácil de admitir, mas tento melhorar um dia por vez.

Por exemplo: uma coisa que me incomoda é o termo “afrodescendente”. Claro que eu sei do que se trata, de como surgiu o termo e da ideia de “lutar por igualdade de oportunidades que foram negadas em cinco séculos de história do país etc etc etc”. Assim como o “gerundismo” do telemarketing, a questão foi adaptada dos EUA e sua relação com os “afroamericans” e demais “minorias”.

“Ah! Mas você é negro! Deveria concordar com isso…”, vão dizer (já me disseram). Deveria? Por quê? Acho a luta válida e justa, mas não estou inserido nesse contexto de luta. A discriminação existe, está aí até hoje e também já fui vítima. Mas reduzir tudo a um termo – e pior, achar que tudo ao contrário desse termo é “ofensivo”, é “racismo” – não me parece nada razoável.

Me orgulho de ser PRETO, já expressei esse meu orgulho de várias maneiras (escrevendo, com camisetas e ações). Mas isso era uma coisa minha, individual. Não um manifesto ou uma integração a nenhum movimento. Não quero me chamem de “afrodescendente”. Como está na moda dizer, esse termo não me representa. Me orgulho da pessoa que eu sou, e isso não tem nada a ver com a quantidade de melanina da minha pele. Tem a ver com o que meus pais me passaram, com o que eu conquistei, com meus erros e acertos ao longo da vida.

* * *

A foto que ilustra esse post rodou os principais portais do país ontem. Em uma padaria gaúcha, o tradicional bolo “nega maluca” foi rebatizado. Virou bolo “afrodescendente”. Se é esse tipo de medida que se imagina que vá combater o racismo, o preconceito, a discriminação, parem: simplesmente parem. Por favor.