Ainda a XXXperience…

Como eu só voltei com o blog essa semana – e mesmo assim, ainda não tive tempo de escrever direito aqui – nem comentei nada sobre a não realização da Xxxperience, festa de música eletrônica (popularmente conhecida como “festa rave”) que tava marcada pra acontecer no sábado passado, dia 5, em Búzios.

Desde o momento em que a Prefeitura de Búzios não deu o alvará pra festa – e isso aconteceu bem antes do evento, cerca de 20 dias – já se sabia que a festa não rolaria. A justificativa oficial foi que o evento não se adequaria a uma lei municipal que define esses eventos que reúnam grande quantidade de público, com som mecânico, etc e tal. Alegou-se também que a área onde é realizado o evento é uma área residencial, e que a festa causaria transtorno aos vizinhos.

Os promotores da festa, tentando salvar o prejuízo, mantiveram-se vendendo os ingressos e tentaram, via liminar, manter o evento. Da mesma forma, como já era previsto, a Procuradoria Geral da Prefeitura de Búzios conseguiu cassar a liminar na manhã de sábado passado, dia previsto para a festa, que não rolou mesmo.

Beleza: se tem uma legislação na cidade, e um evento vai contra essa legislação, não se dá o alvará e pronto. Morreu a história aí.

O problema todo é que a história NÃO morreu aí. Declarações seguidas dadas por secretários e até pelo prefeito da cidade acabaram demonstrando, ainda que indiretamente,  a razão real da festa não ter sido liberada: a pressão da bancada evangélica na Câmara de Vereadores – que representa a parcela significativa da população local de evangélicos.

Não vou entrar no mérito da questão religiosa aqui, porque não quero repetir o mesmo erro do prefeito – que disse para o blog oficial de seu gabinete que não liberou a festa para “proteger a família buziana”, que “as festas rave geram muita bagunça na cidade” e que “Rave: ‘Este tipo de festa não é para Búzios'”. O secretário de turismo chegou a dizer que “Búzios não suporta uma festa com mais de 20.000 pessoas”. E como vai ser no reveillon em Geribá?

As desculpas esfarrapadas deixaram uma imagem de preconceito que não é boa pra ninguém. No meu entendimento, a Prefeitura tem que cumprir a Constituição e respeitar que o Estado é laico, ou seja, não tem direcionamento para esta ou aquela religião/doutrina/dogma.

A Prefeitura de Búzios tem todo o direito de definir quais eventos ela quer sediar. Agora, deveria fazer isso de maneira justa, com todos os tipos de evento. O que vale pra um, deve valer pra todos, sem discriminação de parte alguma. Aliás, seria até interessante que alguma produtora de um evento gospel chegasse à cidade para promover um evento no mesmo local e igualmente para 15, 20 ou 30 mil pessoas, para vermos qual seria a postura da Prefeitura. Alguém acha que o evento seria vetado por falta de alvará?

Em tempo 1: não tenho procuração dos promotores da Xxxperience para defendê-los. Não iria à festa e nem sou frequentador assíduo de raves. Mas penso que não podia deixar essa arbitrariedade passar batida. O problema, repito, não foi o veto à festa. Foram as justificativas dadas além da oficial, que era a questão legal.

Em tempo 2: pra quem quiser entender melhor a discussão, só entrar no blog http://comunicabuzios.wordpress.com e procurar pelo termo “rave”. As declarações estão todas lá. Cada um que tome suas conclusões.

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1 comentário

  1. Ola, concordo em numero e grau com sua colocaão a cima, a final estamos em uma democracia ou nao?somos um paiz democrata ou nao?bom isso eu tenho certeza da resposta, acho que esses prefeitos ou ate mesmo promotores nao Sabem em que pais vivemos,a final o gosto é livre pra esse ou aquele evento, nao sou obrigado caso bani as raves eu ir em festa de pagode, axe, fank e tal.Drogas existem em qualque lugar a toda hora, nao só em rave, que por sinal pegou se fama devido aos noticiarios caçaando as (RAVES)é uma festa linda maravilhosa e nao ve brigas dentro delas, é melhor que muita festa por ai, que faz apologia ao sexo e as drogas.Sou a favor de fiscalizar mais, e ter uma revista mais efetiva nas entradas,e aqui fica uma pergunta no ar.Se todas pessoas sao revistadas como entra as drogas nas festas, sendo que la dentro existem monitores e policias somente?

    Eder Carassato Sertaozinho – SP

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