Direto do Blog da Flamengonet: Dilema rubro-negro

A participação de Zico na edição do programa “Bem, Amigos”, no Sportv, na última segunda-feira, deixou bem claro que a linha de trabalho a ser adotada pelo clube em relação ao departamento de futebol. O direcionamento prioritário de investimentos do clube será para a finalização do Centro de Treinamento e a reestruturação do departamento de futebol estão no topo da lista de prioridades do clube neste momento. Zico ainda deu a entender que o clube não fará grandes investimentos para o restante da temporada e que o time que vai jogar o Brasileiro é o que está aí, com mais dois reforços, que ele não citou nomes.

Os comentários nas ruas e em blogs que repercutiram as declarações do Galinho reforçaram uma tese que eu já tenho há algum tempo – e que acabou ratificada pela conquista do hexacampeonato, ano passado, em meio ao caos que o clube vivia.

A minha tese é que o torcedor comum é imediatista: não quer saber se o clube está no vermelho, se o clube tem grana pra contratar, se os salários estão em dia, se a equipe tem boas condições de treinar. O torcedor quer um time forte, quer reforços. Questões como “estrutura”, “planejamento” e “revitalização” são secundárias para este tipo de torcedor.

Vi muitas críticas ao Zico por parte de torcedores, que reclamam da falta de contratações, que alegam que “com esse time, o rebaixamento é iminente”. Vi, pasmem, até gente pedindo para a Patrícia Amorim demitir o Zico e trazer de volta Marcus Braz.

E aí ficamos num dilema: reestruturar o clube e abrir mão de conquistas “por quatro ou cinco anos”, como disse o Zico; ou montar times caros, com grandes nomes, e endividar ainda mais o clube?

O problema principal é que se criou muito burburinho por contratações nesta janela de transferência. Com os outros clubes se reforçando, o Flamengo trouxe contratações de baixo impacto (Cristian Borja, Val Baiano, Jean, Marquinhos, Leandro Amaral e Renato Abreu). Criou-se uma expectativa por parte da torcida sobre o factóide da contratação de Ronaldinho. Falou-se em Valdívia, Riquelme e mais uma série de nomes de expressão – mas ressalte-se que, efetivamente, a diretoria não se pronunciou em nenhum momento de forma oficial, para desespero de alguns setoristas de sites, rádios e jornais.

Até mesmo na possível transação envolvendo a troca de Kleberson por Gilberto Silva, a “ansiedade por informações” foi tanta que o negócio, que foi dado como certo até no Jornal Nacional, pode não sair. Pelo menos pra mim, as contratações só valem quando Zico as anunciar – já que a presidenta delegou a ele, e só a ele, esses poderes.

E aí concordo com Zico, mais uma vez, quando ele disse, há algumas semanas, que o título nacional teve um preço muito alto. A conquista – que serve como argumento para os que defendem um time forte a qualquer custo – veio em condições excepcionais, em uma arrancada que não é comum em um campeonato historicamente equilibrado como é o Brasileiro na era dos pontos corridos; aliada à incompetência dos principais adversários, que perderam pontos preciosos nos momentos decisivos.

Mas o time, que era inegavelmente forte, tinha sérios problemas de relacionamento, de estrutura e de funcionamento de trabalho. O alto preço pago pela conquista estourou no primeiro semestre, quando não conseguimos sequer ganhar o “carioquinha” e nos arrastamos na Libertadores até a vexatória eliminação, em casa, pra Universidad de Chile, nas quartas de final (perdemos a vaga naquele primeiro tempo pavoroso de 12 de maio – o jogo em Santiago foi apenas um paliativo).

Aqui no blog, provavelmente estou entre a maioria: primeiro, por apoiar o Zico e avaliar que ele tem o tempo que precisar para implantar as mudanças que ele pensa serem necessárias. E segundo, por achar sim que é mais importante arrumar a casa e só depois pensar em montar estruturas eficientes de trabalho, de contratações, enfim.

Isso não quer dizer que eu ache que o time está bom. Não acho que esteja e as contratações feitas até agora não suprem nossas carências. Mesmo com a vinda do Jean, ainda precisamos de um zagueiro; precisamos de um homem de criação/articulação no meio-campo e de alguém que empurre a bola para o gol na frente. Com o elenco atual, repleto de volantes, as condições de fazer gol não são as mais animadoras.

Sei que bons jogadores para preencher essas lacunas não existem aos montes no mercado – e os que estariam disponíveis custam caro. Tenho confiança de que teremos boas notícias em relação a isso nos próximos dias, e que pelo menos um atacante será contratado.

* * * * *

1. Vi muita gente criticando o Marcelo Lomba depois dos jogos contra Avaí e Inter. Vamos dar mais tempo ao rapaz. É bom goleiro, na média dos que estão aí.

2. Acho que temos mais a ganhar que a perder com Leandro Amaral. Assinou um contrato com um valor baixo e receberá por produtividade: se jogar, ganha mais. Se as lesões voltarem, fica no basicão. Penso que vale mais o risco de apostar nele que pagar R$ 150 mil/mês pro Val Baiano…

3. Dênis Marques provou fora de campo essa semana  o que já se sabia dentro dele: na relação custo/benefício, foi a pior contratação da história recente do Flamengo.

4. Pra quem achou bonita e digna de um capitão do Flamengo a atitude de Léo Moura em visitar um hospital pediátrico, a iniciativa não é nova e mostra que, ao contrário do que insistem alguns setores da imprensa, jogadores de futebol podem  ter ações positivas em relação ao próximo.

Meu filho Victor é prova disso, como está aqui relatado no meu blog. Quem quiser saber da história, é só clicar aqui.

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