A morte de Timinho

A morte de Timinho


Otime Cardoso dos Santos
Otime Cardoso dos Santos, o Timinho

Morreu na noite deste domingo (26), Otime Cardoso dos Santos. Aos 82 anos, Timinho, como era carinhosamente conhecido, foi uma das pessoas públicas mais importantes da história recente de Cabo Frio.

Timinho foi prefeito de Cabo Frio entre 1970 e 1972. Foi também vereador, vice-prefeito, deputado estadual por dois mandatos e presidente da Associação Comercial de Cabo Frio entre 1967 e 1970.

Em outubro do ano passado, ele recebeu  Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Cabo Frio por sua vida política, e na ocasião, declarou:

– Me afagou o ego receber esta homenagem aqui na Câmara Municipal de Cabo Frio. Como todo ser humano, eu gosto de receber carinho e a Moção que recebo é uma demonstração de carinho. Muito obrigado!

Além de tudo isso, Timinho era uma pessoa muito ligada à minha família. Assim que meus pais vieram morar em Cabo Frio, em 1972, foram morar na Rua Professor Miguel Couto, no centro da cidade, onde morava Timinho. A amizade começou ali com a família toda (ele, dona Arilda, Kiko, Luiz, Linda…), e com tantas pessoas queridas daquela rua – seu Onacir e dona Rosário, o finado e lendário Octacílio Ferreira (dos escoteiros que se reuniam nas manhãs de sábado no Tamoyo, na minha infância… Sempre Alerta!), tia Olímpia e tio Valentim (que batizaram meu irmão Elton), dona Olívia e seu Jesus (que eram senhorios dos meus pais)… Caelho, Cricri, Zia, Zininha… Juninho Chumbada, Ica, Iz… Flavinha… Lilian, Roberta… Enfim, tanta gente boa que faz parte da minha vida até hoje.

Volta e meia ele passava de carro aqui na frente de casa, sempre que dava, tinha uma carona e muita conversa – que invariavelmente terminava em política. A última carona tem, mais ou menos dois meses. Além da preocupação com a briga política na cidade, Timinho estava preocupado com a situação da praia, com as dunas tomando de volta o espaço que era delas ali nos quiosques do Algodoal.

Apesar da idade bem avançada, estava sempre lúcido, sempre acompanhando as coisas da cidade com interesse, sempre com uma opinião bacana pra dar, uma palavra amiga, um conselho. Nos ajudou muito aqui na época do acidente com o meu filho Victor.

Segundo informações, Timinho estava desde terça com uma forte gripe. Internado no sábado com um quadro de pneumonia, veio a falecer no domingo, depois de uma parada cardíaca. O corpo está sendo velado no ginásio Aracy Machado e o enterro acontece ainda nesta segunda (27), às 15h30.

Que Timinho descanse em paz. E que Cabo Frio aproveite os ensinamentos desta grande pessoa.

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5 comentários sobre “A morte de Timinho

  1. Manga, acabei de chegar do velório, Timinho parecia que estava dormindo, aquele ar sereno, serenidade de um Grande Homem, do Último Grande Homem Público que existiu na nossa cidade, saudade eterna Timinho, do meu vovô Miguel Cahen, do Tio Adelson, do Tio Valentin, do Tio Otacílio…. Só de lembrar da Tia Arilda, Tia Pipinha chorando, chega doer no peito… Kiko, Gonzaga e Linda tbm… Bom, fica aqui registrado, que a cidade toda compareceu, e aplaudiram o nosso eterno e querido amigo Otime Cardoso dos Santos, que ele dê um grande abraço no meu avô e no Tio Adelson!
    Bjo grande!

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  2. Meu vôzinho…de longe a melhor pessoa que eu já conheci. Descobri no velório que ele era ainda melhor do que eu pensava. A quantidade de gente que tinha lá, e muitas delas falando da ajuda recebida do meu avô. Fiquei orgulhosa e triste, pois ele deixa muitos orfãos. Não só os da nossa família, pois ele tratava igualmente os de casa, e os de fora dela. Quando crescer quero ser igual a ele….

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  3. Boa tarde,
    meu nome é Jean e estou trabalhando em um projeto que pretende reunir verbetes sobre a biografia de pessoas importantes da história política fluminense.Entre elas, Otime dos Santos.
    Gostaria de uma ajuda. Por acaso, alguém saberia me informar a razão pela qual houve tal mandao tampão para a prefeitura de Cabo Frio, na década de 70?
    Ficaria grato em receber alguma resposta, att.,
    Jean.

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  4. O ano de 1970 era ano de eleições, mas o povo repelia a idéia de votar. Existiam apenas os dois partidos impostos pelo governo. A Arena, o “oficial” e o MDB, criado para ser oposição, regrada e controlada, no entanto, pela própria situação. Não havia, portanto, o clima de disputa e de verdadeira competição que antecedem os pleitos. De fato, nas eleições de 1970, 60% de todo o eleitorado brasileiro se abstiveram de votar ou anularam o voto.

    O Governo Federal havia estipulado, para o próximo pleito, um mandato-tampão, de dois anos, que visava tornar as eleições coincidentes em todo o País. Dessa forma, os prefeitos e os vereadores eleitos em 15 de novembro de 1970 assumiriam no dia 31 de janeiro de 1971 e cumpririam seus mandatos por dois anos, até o dia 31 de janeiro de 1973.

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