Refém da tecnologia

Quem me conhece sabe da minha paixão por tecnologia, principalmente por todas essas tralhas que hoje se convencionou chamar de “gadgets”. Celulares, smartphones, computadores de bolso, de colo e de mesa, tocadores de MP3. Enfim, toda essa parafernália que, nessa época de festas, ocupa grande espaço nas vitrines e nos anúncios publicitários.

Confesso que, o dia que eu ganhar um bom prêmio em uma das loterias da vida, uma razoável parcela do que eu ganhar será investido nisso. Um estúdio em casa pra eu continuar com meu trabalho de DJ, notebooks de última geração, um iPad… enfim, sonhar não custa nada, não é?

Meus amigos me perguntam como é que eu posso estar presente em tantos lugares ao mesmo tempo na internet. As redes sociais tem esse dom de multiplicação da sua figura: você está lendo seus emails, conectado no MSN, escrevendo no Twitter, deixando recados no Facebook ou no Orkut… uma infinidade de recursos que, a cada dia, são mais e melhor explorados pela juventude.

Minha ligação com a internet vem de tanto tempo que, só pra dar um exemplo, conheci a minha esposa há oito anos, em um bate-papo no ICQ (comunicador instantâneo mais utilizado à época). Começamos a namorar em 2003 e estamos juntos até hoje. Isso, pra ficar no mais básico.

Por recomendação médica, tenho que ficar em repouso por um período por conta de um problema na perna. Até aí, tudo bem: com saúde não se brinca. A ironia é que estou sem acesso à internet em casa. Ou seja: não posso interagir com as pessoas nem no mundo real, nem no virtual. Acabei me tornando um refém da tecnologia.

A sensação é de que estou “de castigo”, como quando eu era criança e meu pai, por algum motivo, me proibia de jogar bola.

Acho que vou me inspirar em mamãe, que é totalmente “analógica”, por assim dizer. Ela relutou muito para ter um aparelho celular – e mesmo assim, quase nunca usa, porque não se lembra de colocar na bolsa. Quase intimada pelos meus irmãos, comprou uma câmera fotográfica digital, em uma de suas viagens. Outro dia, ela estava reclamando. “Gostava mais da câmera de antigamente, funcionava melhor”, disse.

Nessas horas, penso que seria melhor ser como ela.

 

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