O chateamento real

Kate Middleton e William

Na sexta-feira, os olhares de boa parte do planeta se voltaram para Londres, onde o príncipe William se casou com Kate Middleton. Aproximadamente 3 bilhões de pessoas passaram a manhã acompanhando o cortejo que levou os nubentes até o palácio.
Não sei se é porque estou ficando velho, se é porque estou doente ou é por conta do “inferno astral”, já que meu aniversário se aproxima, mas confesso que a cobertura da imprensa brasileira sobre o casamento do segundo herdeiro da linhagem do trono britânico me irritou um pouco. Na verdade, a atenção dispensada a esses eventos de celebridades me irritam.
Primeiro: até onde eu sei, não somos uma ex-colônia britânica. Depois: a realidade de hoje é muito diferente da de três décadas atrás, quando Diana Spencer se casou com Charles. A história de contos de fada da (quase) plebeia que se casou com o herdeiro da corte emocionou o mundo à época – e gerou uma série de Dianas, Daianas (e suas variantes com “y”, com dois “n” e com “e”) e até de “Leidedais” , mas todo mundo sabe o fim que a história teve.
William é filho de Charles e Diana, mas pra mim, é o único laço que liga aquele casamento de 81 a esse de sexta. Como diria o narrador Cleber Machado, “porque o mundo mudou”, o interesse das pessoas agora se multiplica por inúmeros assuntos. E a cobertura em TV aberta, tv por assinatura, sites, redes sociais e tudo mais o que se possa imaginar transformou o enlace matrimonial do futuro (será?) rei da Inglaterra em um acontecimento enfadonho. Para onde se olhasse esta semana, tinha alguma repercussão sobre o assunto.
Eu já falei algumas vezes aqui – e aliás, tem na minha apresentação lá embaixo – que sou um tuiteiro inveterado. E na minha “timeline” (que, pra quem não sabe ou não é familiarizado com o Twitter, é onde aparecem as mensagens das pessoas de quem eu sigo), a opinião é unânime: a cobertura do casamento real foi um chateamento real, passou dos limites.
Sabemos que, também no Brasil, a indústria da cobertura da vida das celebridades cresce a cada dia. Uma passada na banca de jornal mais próxima e você percebe a quantidade de revistas, com preços populares, que vendem sobre “a intimidade dos seus ídolos”. Os sites de fofoca são sempre os mais comentados dos principais portais e, frequentemente, uma notícia sobre a separação de algum artista ou sobre a discussão de um ex-participante de reality show via twitter é assunto mais comentado do que notícias de importância política, econômica ou esportiva.
Será que isso é reflexo do nosso exercício “voyeurístico”, exacerbado cada vez mais, por conta de tanta informação, de tanta publicidade e tanta exposição? Será que isso também não é uma chateação real? Vamos pensar nisso.

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