Lazaroni

Entrevista de Lazaroni à Revista Placar, janeiro de 89

“Uma proposta inovadora dentro e fora do campo. Novas diretrizes para o futebol brasileiro”. Com esse discurso, em janeiro de 89, Ricardo Teixeira assumia a presidência da CBF, trazendo com ele a indicação de Sebastião Lazaroni para dirigir a seleção brasileira principal. Lazaroni, que estava no Al-Hilal, da Arábia Saudita, veio para substituir Carlos Alberto Silva, treinador nomeado pela dupla que presidia (e lutava pelo poder) antes de Teixeira, Octavio Pinto Guimarães e Nabi Abi Chedid.

Lazaroni foi uma indicação de Eurico Miranda, que aquela época, se tornava homem forte dentro da CBF – Eurico teve importância vital na eleição de Teixeira. O treinador ficou à frente da seleção brasileira um ano e meio e até hoje é lembrado mais pelo período confuso dentro e fora de campo da equipe do que pelo título da Copa América – quase nunca é citado que era ele o técnico da equipe que quebrou um incômodo tabu de 40 anos sem conquistar o título continental.

Com um linguajar empolado e cheio de termos técnicos – apelidado logo pela crônica esportiva de “lazaronês” – com expressões que viraram jargão, como “galgar parâmetros” (num assemelhado ao “dialeto” hoje falado por Tite nas coletivas do Corinthians) – Lazaroni adotou como padrão de jogo o 3-5-2. Na época, foi um choque: era, segundo os críticos, a prova da europeização total da seleção, depois da frustração da Copa de 86 e ainda amargando a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Seul, em 88.

Lazaroni fez muitos experimentos na seleção e ficou marcado, sobretudo, pela derrota para a Argentina, nas oitavas de final da Copa de 90, no único jogo daquele Mundial em que a seleção atuou bem. A fase de preparação foi uma bagunça, com jogadores discutindo antes de viajar sobre premiação e sorteio para definir a numeração dos jogadores para a Copa. Se a gente olhar o elenco, peça por peça, era bom e competitivo (tanto que boa parte foi campeão mundial quatro anos depois). A ausência lamentável naquele Mundial acabou sendo a de Neto (sim, o Craque Neto da Band), que era o melhor camisa 10 em atividade no país, e acabou preterido para um veterano Tita e para Bismarck, cuja convocação foi justificada como “preparação para o jogador assumir a camisa 10 da seleção nos próximos anos”. Bismarck foi para o Japão e nunca chegou nem perto do craque que se projetava nas categorias de base do Vasco.

Laza comandou a seleção em 30 jogos oficiais. com 19 vitórias, sete empates e quatro derrotas. Mas as derrotas foram marcantes: além da Argentina, a seleção perdeu três jogos seguidos em uma excursão para a Europa em junho de 89, logo no início do trabalho e pouco antes da Copa América: 2 a 1 para a Suécia, 4 a 0 para a Dinamarca e 1 a 0 para a Suíça.

Além desses jogos, o treinador dirigiu o Brasil em mais cinco amistosos contra clubes/combinados, com vitórias sobre o Al-Ahli (Arábia Saudita) e um combinado de Madri; um empate sem gols contra o Milan e derrotas diante da seleção do resto do mundo e de um modesto combinada da Umbria, às vésperas da Copa da Itália, num prenúncio de que as coisas não dariam certo.

Sebastião Lazaroni foi o primeiro técnico da era infindável de Ricardo Teixeira na CBF. Depois vieram Falcão, Parreira, Zagallo, Luxemburgo, Leão, Felipão, Parreira de novo, Dunga e Mano, além dos interinos Ernesto Paulo e Candinho. O futebol brasileiro melhorou muito do caos do final dos anos 80 – embora ainda haja muito caminho para andar. Agora, Lazaroni assume a seleção do Catar, com a obrigação de trazer a equipe para o Mundial do Brasil, em 2014, quando (espera-se), Teixeira encerra seu ciclo na CBF. Será que vai dar certo?

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