Flamengo 2012: onde a banana come o macaco

"Está tudo bem, está tudo lindo, não há crise alguma"

A confusão em que o Flamengo está envolto desde que o ano começou teve seu ápice entre a tarde de quarta-feira  e a manhã desta sexta-feira. Em um intervalo de pouco menos de 48 horas, uma sucessão de trapalhadas, mentiras, especulações e informações desencontradas colocaram um ponto final no trabalho de Vanderlei Luxemburgo no comando técnico do clube.

Concordo com os argumentos de quem defendia a demissão do treinador. Em aproximadamente 16 meses no comando da equipe, Vanderlei não conseguiu dar um padrão de jogo definido ao time, insistindo com uma formação apenas no 4-2-3-1, com poucas variações. Foi campeão estadual de forma invicta, é verdade, e conseguiu concretizar a classificação do clube para a Libertadores deste ano, mas o saldo acabou sendo insuficiente diante das expectativas criadas pela torcida.

Luxa não é mais um treinador de ponta. Apesar de conhecer muito de tática e estratégia, não tem conseguido voltar seu foco somente para o lado “técnico” do trabalho. Está sempre tentando aliar isso ao lado “gerencial” da coisa. E ultimamente, isso não tem funcionado.

Sobre a confusão que envolveu sua dispensa, um adendo se faz necessário: Luxemburgo está longe de ser um santo. Aliás, no futebol profissional, poucas pessoas se salvam (o jornalista Diogo Kotscho faz uma analogia genial no meu entendimento, que “futebol é igual às salsichas: quem conhece como é feito não consome”). Luxa criou ao seu redor um ambiente de trabalho tão hostil que acabou sendo inevitável a sua queda.

No entanto, a forma como a demissão aconteceu foi surreal. A decisão já estava definida há tempos – o próprio treinador tinha ciência disso. Apesar de todo o teatro feito pela presidente Patrícia Amorim (a Pat Ética, como bem definiu meu amigo Ricardo “Calhau” Henriques), primeiro na entrevista antes do jogo do Potosí, e depois, na inacreditável declaração à rádio Tupi, na quarta-feira, momentos antes do jogo da volta no Engenhão; e nas declarações debochadas à imprensa depois do jogo, passando pela foto visivelmente forçada dos desafetos Luxa e R10 na Bolívia, todo mundo (incluindo os jornalistas sérios, os não tão sérios e os que apenas chutam o tempo todo) já sabia que Vanderlei seria demitido.

À presidente e ao fiel escudeiro (e amigo pessoal dela e do marido tricolor, eminência parda no clube) Michel Levy, faltou na forma de demitir Luxemburgo o que faltou em toda a sua trajetória no clube: coragem. Como o time ganhou, Pat Ética não teve peito de demitir o treinador no vestiário. Na certa, ela acreditou que ele fosse pedir demissão na coletiva pós-jogo, e, com seu estilo briguento, fosse espalhar a merda no ventilador (e dar uma boa razão para o clube não pagar os R$ 4 milhões da multa rescisória).

Ao mentir, agir de forma covarde e não cumprir com a própria palavra, Pat Ética acabou cumprindo sua parte no trato com os irmãos Assis e se livrou de Luxemburgo (mas não da multa), o que já era previsto desde quando disse que “pagaria do bolso a parte da Traffic”, caso a empresa de marketing esportivo resolvesse romper a parceria Viúva Porcina estabelecida com o Flamengo em 2011.

Luxa x R10: na queda de braço, Pat ficou com o R10

As cinco semanas de 2012 do Flamengo entram pro almanaque de como gerenciar da maneira mais equivocada possível um clube de futebol – e porque não dizer, uma carreira política. Ainda que ela se sinta confiante para a reeleição no clube (já que o colégio eleitoral é restrito e, na avaliação deste colégio, ela está fazendo uma boa gestão), suas pretensões político-partidárias estão nos pés de Ronaldinho. Só uma temporada de ouro dentro de campo salva sua reeleição à vereança – já que sua base eleitoral sempre foi de torcedores rubro-negros.

E o que esperar daqui pra diante? Como confiar nas declarações de Pat Ética de que Vagner Love foi contratado com recursos integralmente pagos pelo Flamengo e não com um empréstimo do BMG que, em contrapartida, pegou percentuais de oito jovens jogadores do clube? Como acreditar que ela, a defensora da ética no futebol, não contactou o então empregado Joel Santana nesse período todo de turbulência?

Pat Ética e Vagner Love: quanto custou o atacante?

Esse início de ano mostra que, como reza o adágio popular, “a banana está comendo o macaco”. Está tudo errado, mas como diz a presidente (Pat) Ética, “está tudo lindo, está tudo bem, não há crise”. Dá pra confiar?

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