#ForçaNewFutsal

Só quem já participou de equipes de competição sabe como é bom viajar pra jogar. Como isso é estimulante, como todo mundo se prepara. Atletas, treinadores, familiares, todo mundo pensa no momento dos eventos.

Infelizmente, acidentes acontecem. Fui acordado com a notícia de um acidente envolvendo a equipe New Macaé, que disputa competições femininas de futsal no interior do Estado do Rio. O projeto é coordenado com paixão e competência pelo meu grande amigo Alexandre Adolfo, o Negueba. O time seguia de Macaé para Magé e foi vítima de um acidente grave em Rio Bonito. Uma das meninas veio a falecer e mais duas estão internadas em estado grave.

Quantas vezes eu já fui, de Cabo Frio ao Rio (ou a Campos, ou até em viagens interestaduais) de van, de micro-ônibus ou de ônibus, nas minhas andanças como treinador de futsal? E eu sempre tive um incômodo de viajar com chuva. Nas últimas viagens com a ADDP, em 2014, era sempre a briga com o sono em noites chuvosas.

Negueba – que, pra quem não conhece, é uma figura adorável, sempre risonho, sempre brincalhão, com uma história de vida foda – postou ontem no Facebook uma imagem sobre o jogo. Ele fala desse projeto com uma empolgação que é fora de série. Conseguiu apoiadores pra equipe e tá sempre empolgado.

forçanew

Nesse momento de luto e dor, peço a Deus que conforte as famílias de todo mundo que estava na van, em especial, da menina que morreu e das que estão internadas. Que possa haver o pronto restabelecimento de todos, e que o projeto possa continuar, ainda mais forte.

Negão! Estamos juntos sempre! Muita força aí! Força, New!

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Coisas que só acontecem em Cabo Frio, parte 126

14h30, trânsito parado na Avenida Assunção – pra quem não é de Cabo Frio, é “só” a principal avenida da cidade. Um acidente para o já confuso trânsito da cidade.

Um carrinho de pipoca que atravessava a rua bateu na traseira de um Vectra que estava saindo da vaga pra pegar o trânsito.

A porrada só não foi maior porque os dois estavam em baixa velocidade. Mas o carrinho de pipoca, coitado, ficou seriamente danificado –  e o trânsito parado por uns bons cinco minutos.

Aliás, depois vou falar aqui sobre o já confuso trânsito cabofriense.

Gratidão nunca é demais

Em um tempo onde os desvios de conduta de um jogador que era ídolo e capitão do Flamengo acabaram respingando brutalmente na instituição e em sua torcida, acabei por lembrar que a generalização normalmente é nociva. Mais que isso: que a gratidão que devemos ter a quem nos faz bem, mesmo que tardia – e possivelmente de uma forma que os envolvidos nunca tomarão conhecimento. Esse agradecimento, aliás, eu fiz no Orkut, há quase três anos, quando essa história que vou resumir agora se encerrou com um final feliz pra todos nós.  Mas, repetindo, gratidão nunca é demais.

Meu filho Victor, então com 10 anos, sofreu um grave acidente em 2 de julho de 2007. Como não bastasse o estado gravíssimo em que ele chegou ao hospital, eu ainda atravessava um problema sério de saúde: meu pai, Adelson, estava em fase terminal de um câncer de próstata diagnosticado tardiamente, já passando por radioterapia para tentar prolongar sua expectativa de vida.

Victor ficou internado alguns dias no Hospital Miguel Couto, na Lagoa, sendo transferido depois para a Prontobaby, na Tijuca, hospital que é uma das referências em medicina infantil no Rio de Janeiro. Ele tinha plano de saúde, e a maioria das despesas estavam cobertas pelo plano. Porém, de súbito, eu e minha mulher tivemos que nos mudar pra casa dos meus irmãos no Rio, tendo que custear as nossas despesas e também arcar com gastos não atendidos pelo plano de saúde (por exemplo, anestesista e alguns exames de maior complexidade – estes, ainda reembolsados).

Na época, não havia Twitter. O Orkut era o meio de mobilização em se tratando de redes sociais. E por lá, muitas manifestações de apoio e solidariedade, de diversas pessoas de todas as partes. Gente de todo o país, pessoas que eu nunca conheci. Aqui em Cabo Frio, por eu ser uma pessoa de certa relevância nas áreas que atuo (notadamente no esporte), a solidariedade foi ainda maior, do prefeito ao mais simples cidadão. Recebi muito apoio, inclusive em ajuda financeira, e graças a Deus e a esses amigos, conseguimos honrar todos os compromissos, enquanto a saúde do Victor se restabelecia.

Por intermédio de um amigo, Orlando Barros, salonista, funcionário da Globopar; e de vários outros amigos salonistas do Flamengo, como os professores Tito e Luis Antônio, o clube gentilmente  nos cedeu uma camisa, que seria leiloada para ajudar nas despesas. Mesmo com o Campeonato Brasileiro em andamento – e o Flamengo com jogos atrasados por conta da paralisação no Pan – nada menos que nove  jogadores do Flamengo, depois de tomarem conhecimento da situação do Victor, prontamente se dispuseram a autografar a camisa.

Camisa autografada por Léo Moura, Ronaldo Angelim, Juan, Ibson, Renato Augusto, Roger, Obina, Maxi e Souza - setembro de 2007

Três deles estão lá na Gávea até hoje – no elenco que foi tratado, na generalização de que falei no início do texto, como “um bando de marginais” por parte de vários setores da sociedade, por atos individuais de alguns integrantes. Os laterais Léo Moura e Juan e o zagueiro Ronaldo Angelim. Além deles, autografaram a camisa os meias Ibson, que está no Spartak Moscou, da Rússia; Renato Augusto, jogando hoje no Bayer Leverkusen, da Alemanha; e Roger, atualmente no Cruzeiro; e os atacantes Obina (Atlético Mineiro), Souza (Corinthians) e Maxi Biancucchi (Cruz Azul, do México). Renato Augusto e Ibson, aliás, se propuseram a visitar o Victor na Prontobaby – a visita só não aconteceu por incompatibilidade de agendas entre os compromissos deles de treinamentos e os horários de visita na clínica.

A camisa foi leiloada via Mercado Livre, e graças a uma intensa divulgação no orkut, no blog do Marco Bruno (especializado no futsal do Rio) e no blog da Flamengonet (do qual era – e voltei a ser – colunista), foi comprada por um bom amigo rubro-negro que também nos ajudou. O clube fez outras ações para nos ajudar, como um amistoso de futsal contra o Centro Esportivo de Cabo Frio, que havia sido campeão carioca um mês antes do acidente, com renda revertida para as despesas, graças ao empenho de muita gente, aqui em Cabo Frio e no Rio, e um empenho especial do prefeito Marquinho Mendes, que autorizou a cobrança de ingresso para a partida – o que não é comum em eventos esportivos no ginásio.

Através de um grande amigo, Aruan Lima, que a época trabalhava no departamento de marketing do clube, o Victor recebeu um kit com diversos produtos licenciados (bandeira, caderno, caneta, jogo de botão), além de uma camisa, que foi autografada também por Ibson e Renato Augusto.

No final das contas, deu tudo certo. Victor teve alta, 116 dias e algumas operações depois, em 22 de outubro. A nota triste é que duas semanas depois, talvez também castigado pelo sofrimento do neto, meu pai faleceu em 6 de novembro.

Agora que todos já conhecem a história, os pontos que eu queria destacar:

1. Nem todo jogador de futebol tem conduta em sua vida particular fora do padrão.

2. No mesmo Flamengo que foi avacalhado por conta dos lamentáveis incidentes recentes, jogadores e funcionários são capazes de gestos dignos e simples, que merecem elogios. No nosso caso, as boas ações partiram não só do clube, via dirigentes, mas também das pessoas que lá trabalham.

3. Eu só tive a oportunidade de fazer esse agradecimento pelo orkut, na época da alta do Victor. Hoje em dia, com o Twitter, essa aproximação entre pessoas comuns, do povo; e pessoas de destaque no cenário esportivo, artístico, cultural e político, se estreitou. Eu mesmo sigo o Léo Moura, mas nunca tive uma oportunidade de expressar pessoalmente a gratidão que eu tenho a ele pelo simples gesto que ele fez pra mim e pro Victor. Nem a ele, nem a Juan, Ronaldo Angelim, Roger, Renato Augusto, Obina, Souza e Maxi. O único a quem eu pude agradecer pessoalmente foi ao Ibson e à sua esposa – que na época, ainda estava grávida do primeiro filho do casal – pelo fato dele ter casa na região e estar sempre por aqui nas férias.

A gratidão do fã ao seu ídolo: o então torcedor Léo, ao lado do ídolo maior, Zico.

4. Ressalto o Léo Moura, por alguns aspectos. Ele está no Flamengo há cinco anos, fez parte das glórias recentes do clube (que incluem um tricampeonato carioca, uma Copa do Brasil, três classificações pra Copa Libertadores e um título brasileiro depois de 17 anos de espera). Ele é ídolo de boa parte da torcida, principalmente da molecada, que se inspira até no já conhecido corte de cabelo moicano. E ag0ra, ele é o capitão da equipe. E ele mesmo tem uma passagem, de domínio público, que expressa bem o que representa ser grato a alguém e ser ídolo/fã de alguém. Tá na foto ao lado.

Pode ser que nenhuma das pessoas citadas aqui leiam este post. Mas gratidão nunca é demais. E eu sou eternamente grato às pessoas citadas nominalmente aqui – e a todas as outras que naquelas 16 semanas, de alguma maneira, nos ajudaram com força e energias positivas pra que tudo desse  certo.

Em tempo: Victor, que é rubro-negro como eu e como o avô, está bem de saúde, sem sequelas do acidente. Mora em São Bernardo do Campo com a mãe, o padastro e a irmã.