Vai começar o Municipal de Futsal de Cabo Frio – parte 2

Vai começar o Municipal de Futsal de Cabo Frio – parte 2

Dividi o post em dois para facilitar a leitura e não ficar muito longo, já que o assunto é bem extenso. Mas retomando a conversa, este ano, pela primeira vez, a competição terá como casa principal o ginásio Vivaldo Barreto, inaugurado em outubro do ano passado. Com o ginásio Aracy Machado em reforma (e só ficando pronto daqui a dois meses, aproximadamente), os torneios de todas as modalidades estão sendo disputados na arena esportiva do Jardim Esperança.

Por um lado, é bom: durante anos, estabeleceu-se um mito (até por sua origem na cidade) de que o futsal era uma modalidade elitista, restrita apenas ao centro e ao lado “de cá” da ponte Feliciano Sodré, com exceção da Gamboa – leia-se por lado “de cá” da ponte o centro, São Cristóvão e demais bairros adjacentes.

No final dos anos 90 e no início dos anos 2000, o CEEDUC acabou sendo o principal responsável pela quebra deste mito. Com uma ação voltada para atender crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, o CEEDUC fez do futsal sua principal cartão de visitas, levando a modalidade à periferia de Cabo Frio. Muito se discutiu a questão técnica e legal de suas atividades esportivas, já que, à época, seus instrutores não eram formados em Educação Física e isto era sempre motivo de questionamentos. Mas até para isso, o futsal serviu: nomes como Adalberto Ricardo, Wagner Kbça e Bruno Gago, que trabalharam no projeto, hoje são profissionais da área de Educação Física. Sem contar a infinidade de jogadores revelados pelo CEEDUC – e muitas vidas salvas do tráfico por conta deste trabalho, que perdeu força depois da morte de seu fundador, Ivan Veleiro; e acabou sendo desativado no final da década passada.

Hoje se pratica futsal em todo o canto. Estou desde 2006 na ADDP, já treinei a equipe na quadra do Itajuru, no CTL do Santa Rosa, no Porto do Carro; e desde o ano passado, no Recanto das Dunas. Os talentos brotam nesta cidade e é preciso pessoas capacitadas para lapidá-los. Tenho muita preocupação com o cenário atual do futsal da cidade, onde há poucos clubes nas categorias sub-15 e sub-17 com um trabalho consistente de formação dos jogadores. O futsal é uma modalidade que alia o talento à inteligência e nestas categorias, quanto mais informações forem passadas de uma maneira compreensível, melhores jogadores estes garotos se tornarão no futuro.

O campeonato começa hoje no adulto e na próxima semana, nas categorias sub-15, sub-17 e sub-20. Nas categorias menores (do sub-7 ao sub-13), o torneio começa no dia 9 de julho, apesar do boicote de alguns clubes que, baseados em uma mentalidade provinciana demais para a época em que vivemos (ainda presa no início da Liga, há 25 anos) não concordam com a participação de clubes de outras cidades na competição e estão decididos a montar um campeonato paralelo.

No adulto, além da ADDP, atual pentacampeã; e do Grêmio Samburá, que se enfrentam na partida inaugural; estão Rosa de Saron, vice-campeã em 2008 e no ano passado; Zelador, Progresso, Arraial do Cabo e o recém-fundado Cabufas, estreante na competição.

Maior vencedor da história do Municipal, com oito títulos (1987, 89/90, 93, 97/98, 2003/04), o Tamoyo declinou de participar do torneio este ano. A alegação oficial do clube eu não sei, mas é público e notório que seus dirigentes não concordam com a participação da ADDP no campeonato, por avaliarem que o clube tem uma prática “profissional” com seus atletas. O Tamoyo disputou 22 das 24 edições anteriores, só ficando fora em 1988 e 2002.

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É tetra! ADDP campeã no futsal de Cabo Frio

É tetra! ADDP campeã no futsal de Cabo Frio

ADDP é tetra em Cabo Frio

Time vence o Tamoyo na decisão, conquista título invicto e bate recorde que já durava 13 anos

A ADDP conquistou, na noite desta quinta-feira (05/11), o tetracampeonato municipal de futsal de Cabo Frio, após vencer o Tamoyo por 7 a 3, na decisão do campeonato promovido pela Liga de Futsal da cidade.

ADDP 2009
ADDP, campeã mais uma vez em Cabo Frio

As duas equipes empataram o primeiro jogo em 1 a 1. Um novo empate levaria a decisão para a prorrogação, onde, por ter a melhor campanha, a ADDP ficaria com o título.

O jogo começou equilibrado, mas aos poucos, na base do contra-ataque, a ADDP foi abrindo caminho para a vitória. Thiago Campos fez 1 a 0 aos 6 minutos. Marcos Paulo ampliou aos 15 e, aos 18, Marrinha fez 3 a 0.

No segundo tempo, a ADDP voltou a carga, e ampliou para 4 a 0, com Marquinho, completando de carrinho um contra-ataque iniciado por Júlio. A partir daí, o Tamoyo cresceu em quadra e diminuiu para 4 a 2, com gols de João Vitor e Tiguinho.

Os 10 minutos finais foram emocionantes. Rodriguinho fez 5 a 2 para a ADDP. Logo em seguida, Binho, em cobrança de falta ensaiada, diminuiu novamente para o Tamoyo. Aos 12’16, o mesmo Binho foi expulso após cometer falta em Jackson. Com um jogador a mais, a ADDP não conseguiu fazer o gol, mesmo utilizando o fixo Thiago Campos como goleiro-linha.

No final, foi a vez do Tamoyo utilizar o gol-linha, primeiro com Bruno e depois com Marcelo Marmelo. A marcação da ADDP, bem postada, impediu os ataques do adversário. Numa bola roubada, Thiago Campos bateu de longa distância, fazendo o sexto gol da ADDP. No minuto final, Dudu recebeu bola de Marrinha e fechou o placar, confirmando o quarto título consecutivo do clube na cidade em sua quinta temporada.

Marcas históricas – Além de ter quebrado um recorde que já durava 13 anos (a Cabofriense foi o único clube a ter um tricampeonato em 23 edições do Municipal, entre 1994 e 1996), a ADDP foi campeã invicta em 2009. Foram 10 vitórias e três empates nos 13 jogos disputados na competição.

Além disso, o time teve o melhor ataque, com 76 gols marcados; a melhor defesa, com 29 gols sofridos; e o artilheiro do campeonato, Rodriguinho, com 16 gols. O jogador, que completa 20 anos na próxima semana, foi também o artilheiro do municipal sub-20, igualmente com 16 gols – é a primeira vez que um jogador consegue a marca nos dois campeonatos na mesma temporada.

A conquista foi muito comemorada por jogadores, integrantes da comissão técnica, diretoria e torcedores. “Esse título é muito especial pra todos nós, muito importante”, declarou emocionado Armando Mariosa, presidente do clube. Para o treinador Everaldo Rangel, o equilíbrio nos momentos difíceis do jogo foi a chave para a conquista.

– Fizemos uma boa vantagem, mas no segundo tempo, teve um momento em que o Tamoyo esteve melhor e fez dois gols. Essa oscilação é natural, mas a equipe teve o equilíbrio para retornar para o jogo e conquistar a vitória – analisou.

A campanha:

16/06 – ADDP 2 x 0 Coral

30/06 – ADDP 3 x 3 Tamoyo

14/07 – ADDP 5 x 2 Progresso

21/07 – ADDP 5 x 1 Zelador

28/07 – ADDP 5 x 5 Rosa de Saron

06/08 – ADDP 4 x 0 Coral

10/09 – ADDP 9 x 1 Tamoyo

24/09 – ADDP 12 x 3 Progresso

13/10 – ADDP 7 x 2 Rosa de Saron

15/10 – ADDP 12 x 5 Zelador

Semifinal

20/10 – ADDP 4 x 3 Rosa de Saron

Finais

29/10 – ADDP 1 x 1 Tamoyo

05/11 – ADDP 7 x 3 Tamoyo

 

OS CAMPEÕES:

#1 MARCELO Batista Castro – 23 anos (25.02.86) – goleiro, no clube desde 2006

#2 THIAGO CAMPOS dos Santos – 20 anos (28.03.89) – fixo, jogou no clube em 2007 e retornou em 2009

#3 Paulo Vitor Gonçalves dos Santos (PAPAULO) – 24 anos (26.07.85) – ala, no clube desde 2007

#4 Marco Antônio Silva de Souza (MARQUINHO) – 38 anos (25.05.71) – fixo, no clube desde 2006

#5 Wanderson de Alencar Martins Gonçalves (DUDU) – 23 anos (30.11.85) – fixo/ala, no clube desde 2006

#6 José Fernando Pacífico Paiva (MARRINHA) – 21 anos (05.01.88) – ala, no clube desde 2005

#7 Renato Rodrigues Pereira (RENATINHO) – 29 anos (07.12.79) – ala, no clube desde 2005

#8 JACKSON Santos Ribeiro – 25 anos (29.10.84) – ala, no clube desde 2008

#9 JULIO Cézar da Silva – 30 anos (04.07.79) – pivô, no clube desde 2005

#10 MARCOS PAULO Alves Vicente – 25 anos (21.02.84) – pivô, jogou no clube em 2005 e 2006, retornando em 2008

#11 Rodrigo Gonçalves Siqueira (RODRIGUINHO) – 19 anos (10.11.89) – ala/pivô, jogou no clube em 2007, retornando em 2009

#12 MIKE Mureb Melo Duarte – 28 anos (10.09.81) – goleiro, jogou no clube entre 2005 e 2007, retornando em 2009

#13 Leandro Rodrigues Sant’Anna (LEANDRINHO) – 21 anos (27.07.88) – ala, no clube desde 2009

#14 Fernando Santos Baptista (MUMU) – 21 anos (05.03.88) – ala, jogou no clube em 2007, retornando em 2009

#20 Antônio Marcos Nascimento Diniz (TOTONHO) – 27 anos (04.02.82) – goleiro, no clube desde 2008

 

COMISSÃO TÉCNICA:

Presidente: Armando Mariosa Dias Neto

Coordenador Geral: Prof. Flávio Rebel

Treinador: Everaldo Rangel

Auxiliar-técnico: Anderson Lopes

Preparador Físico: Jean Bessa

Impressões (quase sempre imperfeitas) sobre Cabo Frio, parte 1

Impressões (quase sempre imperfeitas) sobre Cabo Frio, parte 1

Outro dia eu postei no Twitter algumas coisas que eu penso sobre a vida noturna de Cabo Frio. Não vou falar sobre a vida cultural porque não tenho conhecimento pra isso, não me considero habilitado pra discutir sobre os rumos das diversas vertentes culturais na cidade. Mas da vida noturna eu conheço bem, porque nos últimos 20 anos estive, digamos assim, dos dois lados do balcão.

Primeiro, sobre a questão dos shows. Durante muito tempo – e isso não é segredo pra ninguém – a política oficial da Prefeitura em patrocinar shows gratuitos (de todos os portes/estilos musicais/tendências) matou todas as possibilidades de se estabelecerem casas de show por aqui. A regra do mercado é simples: porque alguém vai pagar por um show se logo vai ter o mesmo artista cantando de graça na Praia?

Não vou entrar no mérito político dos shows gratuitos. Essa discussão é um rame-rame danado entre os aficcionados das duas polaridades, e pra mim, já rendeu o suficiente. Só que o FATO é que, salvo em ocasiões especiais, não há mais shows gratuitos.

Os shows pagos passaram a ser feitos no Espaço de Eventos, atrás das Sendas. O espaço é amplo, perto de uma das principais entradas da cidade. Por isso, acabou sendo ideal para shows com público maior. Além do Cabofolia, shows de diversos estilos que possam levar um público acima de 5 ou 10 mil pessoas podem ser feitos lá tranquilamente – lembrando, claro, que é um espaço aberto, e que, pra realização de shows, precisa de toda uma logística, montada, claro, por quem tá organizando o evento.

Daí a gente vem pra uma lacuna que eu acho importante. Cabo Frio hoje não tem um local alternativo pra shows de bom nível, mas que tenham um público menor. E já há algumas vertentes pra essa demanda – o público jovem, com seus eventos de rock com bandas locais e de fora, por exemplo – mas sem um local ideal. O teatro municipal é pequeno demais. Os clubes não tem espaço suficiente – e ginásios não são o local com a melhor acústica do mundo pra shows.

Tirando os eventos jovens – que normalmente acontecem no teatro ou no Santa Helena – as ultimas tentativas bem-sucedidas foram no Tamoyo (o show do Leoni e do Teatro Mágico). Como a capacidade de público é pequena, o preço tem que subir, pra compensar economicamente a quem organiza.

Quem sabe se eu ganhar na megasena quarta-feira eu não começo a pensar em investir em um local bacana, com estrutura, estacionamento, tratamento acústico, pra receber esses eventos… Com um bom evento mensal, acho que dá pra pagar as contas…